VARIEDADES | Coluna Izabella Barreto

O que é o Design Afetivo?

Meu primeiro contato com a decoração foi na minha adolescência, quando minha tia, grávida comprou uma revista sobre arrumação de quartos de bebês. Lembro-me de folear aquelas páginas, entendendo o projeto através das fotos e textos complementares que explicavam o conceito dos espaços.
 
Por algum motivo, tenho essa revista guardada até hoje, e mesmo nunca tendo usado, acredito que ela represente a decoração que eu acredito ser a mais apropriada para qualquer local, a da emoção.
 
Para mim, não é à toa termos a palavra “coração” no meio. Por mais piegas que pareça, esta fase é justamente o momento ideal para tornar realidade no projeto, tudo que gera emoção e sentimento ao usuário, não mais apenas através das técnicas e normas tão discutidas nos artigos anteriores, mas sim levando em consideração a persona para qual se está projetando.
 
Sentir para mim é o verbo que mais usamos na decoração dos ambientes, e planejar cada um dos elementos é bastante desafiador. De forma prática, eu, como pessoa e profissional vejo a decoração de qualquer cômodo regida em 3 partes, de curto, médio e longo prazo.
 
O curto prazo corresponde a reavaliarmos tudo que importa em nossa vida, e selecionar aqueles itens que são valiosos para nós, por algum motivo. Seja estético, histórico ou sentimental, ter objetos de valor agregado (nem que seja só para nós) é essencial na hora de compor espaços, pois são eles que ditam quem e como somos, e como já disse em vários outros artigos, os projetos devem reproduzir nossa essência.
 
Paralelo ao curto prazo começa a caminhada da decoração em médio prazo onde nós, usuários, junto com o profissional começamos a entender as necessidades reais por objetos e utensílios novos. Nesse momento, vale destacar que estamos trabalhando na decoração desde o inicio do projeto, lá na etapa do Briefing e Processo Criativo, prevendo peças, mobiliários e acabamentos que de alguma forma irão agregar valor funcional ao ambiente que se está intervindo.
 
A junção das etapas de curto, e médio prazo na decoração são de extrema relevância, pois todas as peças devem seguir uma linguagem e proporção – o tal do conceito, como se fosse uma orquestra com diferentes instrumentos, que quando bem orientados conseguem fluir em harmonia.
 
Compreender essa linha de raciocínio já é 100% de assertividade para o design de interiores de forma geral, e consegue agregar por si só, o valor emocional que falei no início, só que a meu ver, a decoração nunca termina de verdade...
 
Mas como assim?
 
Pessoas mudam, o mundo muda, e a vida é feita de acontecimentos que fazem parte de alguma forma do crescimento e evolução da nossa memória, modificando assim como pensamos, agimos e consequentemente sentimos, e é aí que está o pulo do gato.
 
Toda vez que trato de decoração com meus clientes, faço questão de deixar espaços (pensados) vazios, justamente para serem preenchidos pela vida que será vivida por seus usuários, tornando esta a etapa de longo prazo que falei.
 
A decoração dos ambientes deve ser levada como camadas a serem preenchidas aos poucos por seus usuários, criando novas memórias, e agregando valor de afetividade e afinidade a sua fórmula, o que chamo de design afetivo.
 
Mais que peças e objetos a decoração é o que trás o aconchego e a sensação de satisfação, e quando simplesmente comprada, como em uma vitrine, torna-se artificial e cenográfica, como um show room de loja.
 
Mais que espaços bonitos, a arquitetura tem como base produzir espaços com qualidade, para pessoas viverem bem, e a beleza é proveniente sempre do equilíbrio e nunca do excesso, portanto espero que com esse artigo, que por sinal é o último do nosso especial sobre metodologia de projetos, eu consiga auxiliar colegas de profissão e leigos a compreenderem a importância do caráter humano dos espaços, e também da sustentabilidade que esse pensamento gera na arquitetura.
 

Escrito por:
IZABELLA BARRETO
Arquiteta Urbanista especialista em projeto e patrimônio, sendo co-fundadora do estúdio de arte em arquitetura CAZA Arquitetura & Interiores. Além do trabalho diário em projetos e obras, Izabella destaca-se pelo compartilhamento do empreendedorismo feminino através do papel da mulher no mercado de obras, e se coloca em uma missão permanente de entendimento que a arquitetura deve ser descomplicada, e proporcionadora de qualidade de vida.
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